21 de junho de 2012

Eu

Me olho no espelho, sou eu. Sim, me reconheço ao olhar-me no espelho. Reconheço meu rosto, minhas curvas, curvas um pouco avantajadas, mas e daí? Sou eu. Reconheço meus olhos, e lá no fundo deles vejo-me com ainda mais clareza. No profundo do meu olhar enxergo a minha vida passando como um filme, enxergo o futuro que desejo [no momento] e também aquilo que me aguarda e eu não sei. Enxergo o ar de mistério que meus olhos têm, e também a realidade que são capazes de transmitir através de lágrimas saindo de si, ou de sorrisos em seus cantos externos. No espelho ainda vejo minha pele, branca, quase tão branca quanto a parede, e nela me reconheço. Em tudo o que ela forma e informa sobre mim. Vejo que minha personalidade não está no que sou, mas sim no que demostro ser através de tudo o que faço. Meu caráter, este sim, está no que sou, mas também está no que demonstro ser, e em tudo o que faço. Em cada ação que minha alma expressa através de meu corpo materializado, que no espelho agora vejo, demonstro meu eu, quem realmente sou. Sou tão frágil em mim, e as vezes me acho tão forte. Mas as vezes me acho tão fraca. Concluo que sou o que sou. Sou única, porém imperfeita. Mas sou incrível e simplesmente humana. Sou gente.

20 de junho de 2012

Existir x Viver

Existir é ser algo em si
Viver é ser algo fora de si

19 de junho de 2012

E agora, Margarida?

E agora, Margarida
Que você o deixou partir
Vai fazer o que da vida?
Vai chorar ou vai sorrir?

E agora, Margarida
Que abandonou seu amor
Vai viver sempre florida
Ou sentir tamanha dor?

E agora, Margarida?
Tarde demais pra ele voltar
Vá viver a sua vida
E deixe-o para lá!

E agora, Margarida?
Mas se foi você quem não quis
Deixe de se fazer de sofrida
E vá cuidar do seu nariz!

18 de junho de 2012

Decisão

Cansado de se torturar, Marcelo resolveu ser feliz.
Resolveu viver a sua vida como sempre achou que deveria.
Errando às vezes, tropeçando às vezes, mas sempre buscando acertar.
Marcelo olhou para a longa estrada que o aguardava bem à sua frente e disse:
- Estou pronto!

17 de junho de 2012

Temperatura

Tão quente e tão fria ao mesmo tempo era ela
Tão quente por o querer, e tão fria por recusá-lo

16 de junho de 2012

Coloquialidade

Gosto do modo coloquial. Escrever coloquialmente é jogar as palavras numa mesa para que todos as vejam. É jogá-las como se fossem um jogo de dama, e não de xadrez.

Escrever coloqualmente é simplificar as coisas. Quando falamos, utilizamos a linguagem coloquial, dizemos "tá", "né", "cê", etc. E isso é tão bonito! É moldar as palavras na ponta de nossa língua para sentirmos todo o seu sabor.

Sem essa de que o erudito é certo, o erudito é fino e o erudito é melhor. O erudito é impalpável, oras. Devemos gostar daquilo que somos, daquilo que vivemos, do que se faz presente em nós.

"Então, seu coloquial, cê vem ou num vem tomá um cafezin comigo hoje à tarde?"

15 de junho de 2012

Sem fim

Ela ouviu a sua respiração
E logo em seguida sentiu suas mãos
Então tomou-se daquilo e nunca mais deixou acabar

Criação

Vivo criando coisas. E essas coisas que crio, quando gosto um pouquinho guardo. Mas hoje vejo que já não as tenho onde guardar.

Geralmente o que eu invento é composto por palavras. E não por palavras ditas, mas por palavras redigidas. Aí guardar fica ainda mais fácil, é só pôr folha a folha numa pasta, ou ainda, com toda a modernidade existente, pôr arquivo a arquivo numa pasta digital.

Só que agora cansei de todo esse esconde-esconde. Confesso que sempre fui muito boa nessa brincadeira, mas agora chegou a vez de dar a vez. Portanto, revelo-me aqui. Com gestos que a todos transmito em forma de palavras. Ofereço para que as saboreiem, e caso gostem, voltem para pegar mais uma fatia. Como se cada um dos textos escritos aqui, juntos formassem um grande bolo. Um enorme e delicioso bolo composto por letras.